Pode imaginar o sexual e o irreverente como algo sagrado?
  Tríbades

Ela possui o olhar típico dos homossexuais quando falam naquele assunto: lascivo, provocante, instigante. Ela me destrói com esses olhos, olhos que dizem o que querem de mim, e como, e onde, e quando querem. Pedem meus gemidos, suspiros e contrações. Desejam-me tão fundo, profundo, intenso quanto dois dedos podem ser. Exigem-me de pé, deitada e em seu colo, com amarras nas mãos e vendas nos olhos. Prendem-me na parede, na cama e jogam-me na mesa. Quiseram-me ontem, querem hoje, amanhã e depois.
Seus olhos libertinos me percorrem até onde sua mão está e onde sua língua vai parar. Ela tem a mania de me dizer pequenas frases e eu luto para compreender. 'Molhada como ontem'? Ou 'Paro quando você gozar'? Ou sua língua inocente apenas dança, me molhando, me sentindo e me bebendo?
Desvio meus olhos dos seus, não posso perder o controle. Uma mordida me faz ver que não devo parar de olhar. Ela quer gravar em sua mente minha expressão. É o que a excita.
Ela conseguiu mais uma vez. Apenas me olha, me lambe e me morde e eu tremo, contraio. Derreto. Relaxo.
Respiração pesada. Seu corpo em cima do meu novamente, meu gosto em sua boca.
Seus olhos inocentes mostram-me a vergonha que sente...
Meus olhos lânguidos dizem-lhe que seu corpo agora é, para mim, como a grande caixa de morangos deliciosamente amargos que devorei sozinha quando pequena.
"Você sabe, prefiro os sabores mais fortes", sussurrei-lhe em sua nuca, antes de mordê-la e levar minha mão às suas pernas.


Para Cacau, que gostou tanto.

Escrito por x Fetisha x às 19h51
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  Hoje, sinto-me uma marafona, uma prostituta, uma vadia. E das melhores.
Hoje, quero dor, sangue, carne, lúxuria. Não agüento essa paz, esse tédio, essa rotina.
Hoje, quero-a de quatro, de lado, em pé.
Quero ouvi-la gritar sua dor, implorar seu não-querer, sentir a minha podridão na carne. No espírito.
Quero vê-la sair dolorida, machucada, chamando-me de escrota depravada. De filha da puta inconseqüente e rodada. Dada. Vendida. Bandida desgraçada.
Hoje, ela vai me xingar, bater, tentar machucar. Vai dizer que meus dedos são inquietos, minha língua é safada, minha expressão é devassa.
E, depois, dirá que me ama, não sabe viver sem meus defeitos, meus dedos, meu suor e meu gosto. E sem minha língua.
Então eu a colocarei de quatro de novo, puxarei seu cabelo e direi que não quero amor hoje, hoje não, hoje eu quero gritos, selvageria e putaria. Nada de amor. Amanhã, prometo que trago-lhe café na cama, gelos e faço massagem. Mas hoje, pare de falar de sentimentos e geme, desgraçada.

Escrito por x Fetisha x às 20h28
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  Não sei seu nome e, no entanto, estou em seu apartamento. A noite passada foi estranha e só me lembro de dançar com ela no Girrrrrls!.
Preciso parar com as vodkas, tequilas, martinis e cervejas na mesma noite.
Minha cabeça dói. Ressaca. Meu corpo dói. Impossível ter transado tanto a ponto de machucar a coluna. Isso só acontece quando fico de quatro e, decididamente, não me lembro disso.
Ela acordou. Senti sua respiração alterar-se. Meu braço dói por estar há tanto tempo na mesma posição.
Ela ainda não levantou-se do meu peito mas está acordada. O que estará pensando?
Preciso dizer alguma coisa. Vamos, Cora. Diga qualquer coisa.
"Bom dia...". Ótimo começo.
"Oi... bom dia..."
Pelo menos ela respondeu.
"Como dormiu? Bem?". Viu, nem é tão difícil conversar com uma pessoa que só viu uma vez. Mesmo acordando no apartamento
dela.
"Sim. Muito. Só a ressaca que fode tudo... Você?"
"Também..."
Ela vira-se para mim e eu vejo o quanto é linda. Olhos pequenos, puxados, lábios discretamente carnudos, pescoço tentador. Linda até quando acorda com ressaca. Por que conhecemos pessoas tão lindas depois de doses no bar?
Beijo-a timidamente. Ela retribui. O beijo torna-se intenso. Eu a queria (novamente?), talvez ela também...
Fome. Sinto fome. Preciso comer alguma coisa.
Paro o beijo. Acaricio seu rosto...
"Seu apartamente é bonito..."
Uma expressão confusa surgiu naquele rosto lindo.
"Meu apartamento? Este não é meu apartamento."
Sorri-lhe. Era uma brincadeira, claro.
"Você quase me enganou... eu não sei seu nome..."
"Cora, Nath... Acordem dorminhocas. Hora de comer..."
Uma morena alta, com provocantes olhos escuros surgiu na porta do quarto com um robe preto transparente. Meu queixo caiu. O da Nath (Nathália, provavelmente...) também.
"E, dessa vez, é comida, tá???"


Escrito por x Fetisha x às 11h27
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