Pode imaginar o sexual e o irreverente como algo sagrado?
  Hoje, sinto-me uma marafona, uma prostituta, uma vadia. E das melhores.
Hoje, quero dor, sangue, carne, lúxuria. Não agüento essa paz, esse tédio, essa rotina.
Hoje, quero-a de quatro, de lado, em pé.
Quero ouvi-la gritar sua dor, implorar seu não-querer, sentir a minha podridão na carne. No espírito.
Quero vê-la sair dolorida, machucada, chamando-me de escrota depravada. De filha da puta inconseqüente e rodada. Dada. Vendida. Bandida desgraçada.
Hoje, ela vai me xingar, bater, tentar machucar. Vai dizer que meus dedos são inquietos, minha língua é safada, minha expressão é devassa.
E, depois, dirá que me ama, não sabe viver sem meus defeitos, meus dedos, meu suor e meu gosto. E sem minha língua.
Então eu a colocarei de quatro de novo, puxarei seu cabelo e direi que não quero amor hoje, hoje não, hoje eu quero gritos, selvageria e putaria. Nada de amor. Amanhã, prometo que trago-lhe café na cama, gelos e faço massagem. Mas hoje, pare de falar de sentimentos e geme, desgraçada.

Escrito por x Fetisha x às 20h28
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